Instrumentos tradicionais locais

Viola amarantina

São raras as localidades que dispõem, tal como Amarante, de um instrumento com o seu nome – a viola amarantina. Este é um instrumento profundamente ligado à expressão musical popular local. Morfologicamente semelhante à viola braguesa, a viola amarantina tem geralmente cerca de 90 cm de comprimento é sobretudoconhecida pela abertura da sua “boca” com a forma de dois corações e por exibir um “cavalete” extremamente trabalhado.

Muito utilizada até ao início do século XX, a chamada viola amarantina era uma companhia indispensável no caminho para as mondas ou nos serões animados nas eiras, onde se espadelava o linho ou desfolhava o milho. Contudo, a partir da segunda metade do século XX, verifica-se que a viola amarantina entra gradualmente em declínio, particularmente acentuado a partir das décadas de 1980-90.

Felizmente, na última década assistiu-se a um certo ressurgir do instrumento, sobretudo graças à ação de alguns grupos e associações locais, com destaque para a Propagode, que têm promovido a sua prática, construção, ensino e valorização, resgatando assim do esquecimento uma parte importante da identidade cultural amarantina.

Rabeca

A rabeca, ou rabeca chuleira, instrumento musical tradicional de cordas friccionadas, geralmente encarado como uma espécie de versão mais rústica ou primitiva do violino, é outro instrumento central na musical popular tradicional de Amarante. À semelhança da viola amarantina, violão, bombo ou ferrinhos, também a rabeca está estreitamente relacionada com as mais importantes festividades populares locais, em especial nas chamadas “chuladas” (a chula foi o género musical predominante nas regiões do Douro e Minho, no final do século XIX, sendo neste contexto bastante popular o uso deste instrumento musical). Infelizmente, a rabeca ainda não foi objeto de um interesse, valorização e recuperação semelhante àquele de que beneficiou a viola amarantina nos últimos anos, tendo praticamente desaparecido na última década. São poucos os tocadores de rabeca atualmente ativos em Amarante, tornando-se pois urgente a revitalização deste instrumento e do seu repertório.

Bombo

O bombo está profundamente associado às festividades tradicionais em Portugal, sendo que muitas vezes os instrumentos de percussão são acompanhados por outros instrumentos melódicos como a gaita-de-foles ou a concertina e, ainda, gigantones ou cabeçudos que animam as atuações.

Existem, contudo, caraterísticas específicas em Amarante que distinguem os grupos de bombos do concelho de outros pontos do país e que, no essencial, resultam da forma como aqui são construídos os instrumento e, sobretudo, pelo modo particularmente enérgico como aqui são tocados. Também por esse motivo, tradicionalmente os elementos dos grupos de bombos eram homens, uma vez que o bombo era visto como um instrumento essencialmente masculino.

Atualmente, continuam a existir em Amarante vários grupos de bombos, geralmente formados por familiares ou amigos próximos que aprendem a tocar com os membros mais velhos, devendo-se a eles um dos pontos máximo das Festas de Junho: o célebre despique de bombos. Existem, contudo, vários grupos de bombos mistos e, nos últimos anos, formaram-se até grupos de bombos exclusivamente constituídos por mulheres.

Em 2017 vai realizar-se, em Amarante, o 3º Congresso Nacional do Bombo, que irá reunir vários especialistas. Está igualmente previsto iniciar-se, em breve, um levantamento exaustivo dos grupos de bombos do concelho e seu repertório.