Candidatura à Rede de Cidades Criativas da UNESCO

O Município de Amarante, dando continuidade à aposta na valorização do património cultural, promoção das atividades artísticas, culturais e criativas no concelho e consolidação de uma estratégia de desenvolvimento urbano baseada na criatividade, decidiu candidatar-se à Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

Criada em 2004, a Rede de Cidades Criativas (RCC) da UNESCO visa promover a cooperação entre cidades que identificam a criatividade, a arte e a cultura enquanto um fatores estratégicos para o desenvolvimento urbano sustentável, colocando as indústrias culturais e criativas no centro da sua ação governativa e, nomeadamente, no centro dos seus planos e ações de desenvolvimento local e de cooperação internacional. Atualmente, a RCC da UNESCO contempla diferentes campos criativos – Artesanato e Folclore, Artes Multimédia, Cinema, Design, Gastronomia, Literatura e Música – integrando 116 cidades de todo o mundo, das quais apenas duas são portuguesas: Óbidos e Idanha-a-Nova.

Ao aderirem à Rede, as cidades comprometem-se, no plano internacional, a alargar o âmbito da cooperação e parcerias, bem como a partilhar boas práticas entre as cidades membros da RCC da UNESCO. No plano local, as cidades devem desenvolver iniciativas que visem reforçar dinâmicas locais de atividades criativas, culturais e artísticas, fortalecendo a criação, produção, distribuição e disseminação; fomentar oportunidade para os criadores e profissionais do setor cultural e criativo; melhorar e alargar os mecanismos de acesso e participação na vida cultural da cidade, particularmente para grupos e indivíduos mais vulneráveis ou desfavorecidos; e integrar a cultural e a criatividade nos planos de desenvolvimento sustentável local.

A cidade de Amarante possui uma ligação histórica profunda à criação e fruição artísticas, culturais e intelectuais, destacando-se, dentro dos domínios de atividade artística, cultural e criativa, o da música. Entre este conjunto rico e diversificado de ativos e dinâmicas associadas à música destacam-se três vertentes.

Por um lado, uma vertente mais etnográfica, popular e amadora, incluindo a manufatura das violas amarantinas, as três bandas filarmónicas centenárias e os diversos agrupamentos: onze grupos de ranchos folclóricos, com 500 elementos que realizam cerca de 200 atuações por ano; oito grupos de bombos, que perfazem um total de 155 atuações por ano com os seus 255 elementos; e ainda, três tunas rurais e doze grupos corais que mobilizam centenas de amarantinos de diferentes faixas etárias. Estima-se que um total de 1200 pessoas estão ligadas à música através de práticas amadoras.

Existe, paralelamente, uma outra vertente ligada à música erudita, nomeadamente através da presença da Orquestra do Norte e de toda a dinâmica de formação musical formal e informal. Amarante tem cerca de oito escolas no município que providenciam, por ano, formação musical a aproximadamente 900 alunos.

Por fim, uma terceira vertente associada quer a uma dinâmica local de bandas amadoras, como à realização de diversos concursos, eventos e festivais de música em Amarante, mobilizando anualmente cerca de 70.000 pessoas.

Neste contexto, sustentada num modelo de governança horizontal e participativo, nomeadamente através da formação de um Conselho Consultivo, que envolveu diversas instituições, de âmbito local e regional, a Câmara Municipal de Amarante coordenou a estruturação de um Plano de Ação para um horizonte de quatro anos, respondendo assim aos requisitos que a UNESCO estabelece para estas candidaturas à RCC.

Este Plano Ação visa tornar Amarante numa cidade mais criativa, privilegiando a música como elemento de desenvolvimento económico, social e cultural, sem deixar, contudo, de promover ligações e articulações com outros domínios da vida artística, cultural e intelectual da cidade e do concelho.

Concretamente, a candidatura de Amarante à RCC da UNESCO tem como grande objetivo fortalecer a estratégia da cidade para a música, inserindo-a num contexto de intensa cooperação internacional, tanto no âmbito da Rede, como junto de algumas cidades de África e América Latina, de modo a fazer de Amarante um laboratório de experimentação, de cooperação e de transição, baseado no seu ecossistema criativo, profissional, empresarial e inclusivo ligado à música.

O Plano de Ação concentra-se em seis grandes áreas de intervenção.

A nível local o Município pretende reforçar o ecossistema local da música, através do incremento da profissionalização e empresarialização do setor; propõe-se a utilizar a música como instrumento de capacitação para a cidadania ativa; e pretende ainda estimular uma programação cultural que favoreça cruzamentos criativos.

A nível internacional, o Município procura posicionar-se no contexto da Rede, criando um espaço de diálogo e de cooperação internacional em torno das raízes musicais; reforçando a dimensão internacional associada a alguns dos seus festivais de música; e, por último, procurando afirmar-se enquanto laboratório de experimentação e plataforma de debate, partilha de conhecimentos e boas práticas sobre políticas e iniciativas que contribuam para tornar mais dinâmicos, empreendedores e inclusivos os ecossistemas criativos locais.

”Amarante tem, felizmente, agora com equipamentos, com uma nova abordagem tem conseguido mostrar à região e oa país que tem uma grande vocação para a cultura, em geral, e para a música, em particular.”

Miguel Pinto
Casa da Juventude de Amarante

[Vídeo]

“Julgo que [a candidatura à Rede de Cidades Criativas da UNESCO] é muito importante do ponto de vista do que poderá ser, se aprovada e quando implementada no plano de ação que foi definido.”

Dorabela Gamboa
Presidente ESTG, Politécnico do Porto

[Vídeo]

“Amarante tem, aos poucos e por razões excecionais, tem história relacionada à música, e tem vindo nos últimos anos a crescer de forma exponencial.”

Professor Taí Laranjeira
Diretor Executivo CCA

[Vídeo]

“Acho que tem sido feito um trabalho brilhante nesta cidade. De facto, diferente por ser uma cidade da região Norte de Portugal, pequena mas sem medo, enfrentando os desafios e sendo grande no pensamento. Os objetivos são grandes e a construção a longo prazo.”

Lu Araújo
Diretora do Festival Mimo

[Vídeo]