Amarante e a Música

As cidades nascem da concretização de ideias, de um pensamento sobre o futuro, que surge em torno da criatividade, imaginação e liberdade.

Em Amarante, a música poderá ser o elemento-chave para ajudar a construir um modelo urbano que integre identidades e expressões culturais em que o local e o global se interpenetram, mobilizando espaços de cultura e espaços de culto, espaços de consumo e de lazer.

A música permitirá redescobrir a cidade como espaço de encontro, como lugar dinâmico e criativo, em contraponto à cidade fechada e conflitual, proporcionando dinâmicas de união e de criação, permitindo criar eventos que tornem possível a convivência, que aumentem o sentido de comunidade, que permitam uma maior coesão social, que ajudem a construir, de uma forma criativa, melhores e mais felizes maneiras de viver.

A presença da música em Amarante encontramo-la já documentada ao tempo da fixação dos primeiros conventos e igrejas, desde o século XI. A música sacra era um veículo privilegiado de expressão espiritual, essencial à vida conventual e aos ritos litúrgicos.

O tempo da música acompanhou desde sempre o tempo da vida de mosteiros e igrejas que, nalguns casos, já leva um milénio desde a sua primitiva fundação. Como estes templos, também a música foi adquirindo sempre novas formas, foi sendo restaurada, refundada, foram-lhe acrescentados ornamentos e elementos decorativos ao gosto dos tempos que se sucederam.

Esta dimensão religiosa associada à música continua a ser ainda hoje marcante em Amarante, e é testemunhada pela presença de quatro órgãos de tubos ibéricos localizados em três das principais igrejas do centro histórico da cidade, recentemente restaurados e a funcionar regularmente.

Já a música de feição popular neste território perde-se no tempo mas, ao contrário da música sacra, estas expressões musicais raramente foram registadas em cancioneiros.

Existem ainda assim marcas profundas de raízes musicais presentes em diversos grupos e ranchos folclóricos, em tunas rurais e grupos de percussão, conhecidos por “zés pereiras”. Algumas destas expressões musicais refletem-se em formas singulares de construir e tocar instrumentos musicais: dos bombos à rabeca e à viola amarantina – esta última representada em algumas obras de Amadeo de Souza-Cardoso.

No último quartel do século XIX é documentada a existência, em Amarante, de bandas filarmónicas, duas delas ainda hoje em atividade.

Ao longo do século XX, esta tradição musical vai-se densificando, com o surgimento de alguns agrupamentos que irão qualificar definitivamente o ensino e a prática da música em Amarante: a Tuna dos Empregados do Comércio de Amarante (década 1930) e, mais tarde, com a Orquestra de Jazz Amarantina e o Orfeão Amarantino (décadas 1940-50).

Coincidindo com a inauguração do Cineteatro de Amarante, em 1947, esta atividade musical vai intensificar-se ainda mais, afirmando-se como um elemento marcante de convivialidade urbana. De entre outros eventos, destacam-se o emblemático Festival do Tâmega, um festival/concurso pop-rock que se realizou nas margens do rio Tâmega entre 1979 e 1993, bem como os celebrados bailes de Verão, com música ao vivo, que marcam Amarante durante os anos 50, 60 e 70 do século XX.

A partir das décadas de 1980-90, com o esforço de democratização do acesso à cultura que o país viveu, e que na música teve um notável incremento em praticantes e em públicos, a atividade de criação, ensino e fruição musical em Amarante vai densificar-se e diversificar-se, com a atracão de novos músicos e grupos musicais, escolas de música e espaços para a música: lojas de venda instrumentos e partituras musicais, estúdios de gravação, eventos e festivais de música. 

Porém, é sobretudo na primeira década e meia do novo milénio que a paisagem musical amarantina se vai afirmar no contexto regional e nacional, com uma notável diversificação do seu tecido criativo ligado à música. A fixação em Amarante, em 2001, de uma orquestra profissional – a Orquestra do Norte – foi determinante neste processo. Não tendo sido um acaso ela ter-se radicado no concelho, porque havia aqui um húmus promissor, também é verdade que a orquestra foi agente maior desta transformação tão significativa.

Foi igualmente fundamental, pelo seu dinamismo e riqueza, o extenso tecido musical amador de Amarante, que inclui os grupos e bandas filarmónicas, duas delas centenárias, os ranchos e grupos folclóricos, as tunas rurais, os grupos de bombos, os vários grupos corais e ainda outros agrupamentos musicais amadores de Amarante. 

Também a aposta séria na qualificação da oferta de ensino e formação, formal e informal, de música tem sido fundamental neste caminho. 

Finalmente, saliente-se o conjunto notável de eventos regulares de música, incluindo os seus vários festivais, que garantem hoje uma oferta de programação de qualidade e que são responsáveis por anualmente atrair para a cidade de Amarante vários milhares de espetadores.

Venha também descobrir, através da exploração deste website, os motivos que tornam hoje Amarante numa Cidade da Música!

“Amarante tem, no meu entender, todas as influências de todas as passagens que aqui se dão e, tal como em todo o país, a música é muito transversal.”

Eduardo Costa
Associação Pró Pagode

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“Amarante é uma cidade muito bonita, com um vasto património cultural e com especial relevância na música. Como sabemos temos imensos eventos quer workshops, festivais. Temos um sem número de grupos musicais de vários géneros, temos a viola amarantina, temos orquestras, temos formação…”

Dorabela Gamboa
Presidente ESTG, Politécnico do Porto

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“Sempre reparei que existe [em Amarante] uma relação muito grande entre as pessoas e a música. (…) Tem uma base e uma massa crítica muito grande, para trabalhar o universo da música.”

Artur Silva
Produtor e Programador de Eventos Culturais

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“Amarante (…) tem uma riqueza humana e patrimonial para além do edificado. A Música sendo um instrumento de Cultura e o resultado da Cultura não poderia passar ao lado desta mística de Amarante e dos amarantinos.”

Rosário Machado
Diretora da Rota do Românico

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“Temos um leque muito diversificado e, com muita força, em muitos setores da música: desde a música tradicional, à música clássica. Temos também uma data de instituições que fortificam essas relações.”

Gustavo Carvalho
Produtor e Músico

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“Há uma adesão espetacular [à música em Amarante] dos seis aos oitenta anos. Fico surpreendido com a viola amarantina, com a relação, o efeito que ela teve nos amarantinos e até mesmo fora [de Amarante], porque está a passar fronteiras.”

António Silva
Artesão

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